2 de setembro de 2010
O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou estudo apontando para um crescimento de 21,7% do PIB per capita nos últimos 14 anos.
O PIB – Produto Interno Bruto é o indicador da riqueza do país, refletindo tudo que se produz no território nacional. O PIB per capita é a divisão do valor do PIB pelo número de habitantes. É um indicador questionável à medida que indica uma média de renda por pessoa, o que não quer dizer muita coisa. Por exemplo: alguém tem duas casas e outra pessoa nenhuma casa, na média cada um tem uma casa, o que não é verdade.
De qualquer maneira o crescimento do PIB per capita demonstra que, mesma na média, o país vem melhorando sua renda.
O que chama a atenção neste estudo é o valor que cabe a cada um dos habitantes brasileiros: o baixíssimo valor de R$ 5.405,00 ao ano em 2009. Saltou do já baixo R$ 4.441,00 em 1995, para o valor citado.
Além da constatação do baixo valor, fica evidente a péssima distribuição de renda no Brasil. Na região Sudeste, por exemplo, o PIB per capita foi de R$ 19.200,00 em 2009, ou seja, 255,2% a mais do que a média do Brasil. Na região Nordeste são modestos R$ 6.700,00.
Existe um abismo social no Brasil. Isso demonstra que é preciso mais que crescer economicamente, é preciso desenvolver economicamente. O primeiro é indicador quantitativo, o segundo, qualitativo.
Por sinal, já passou da hora de avaliarmos os governantes deste país por melhoria em indicadores qualitativos, que demonstrem a ampliação da qualidade de vida das pessoas.
Se de um lado podemos comemorar a melhora do PIB per capita, de outro lado fica cada vez mais evidente que é imperativo aumentar o bolo da renda e com este aumento melhorar a distribuição de renda no país. Talvez essas questões se apresentem como os maiores desafios do país, indo muito além dos programas sociais existentes.
Que o debate político contemple essa análise.
30 de agosto de 2010
Não há consenso, mas cresce a corrente de economistas que entendem que os Estados Unidos poderão conviver com nova recessão. O foco que estava concentrado na Europa já não é mais tão intenso em função das recentes medidas implementadas naquele continente.
Na prática, os americanos não fizeram a lição de casa e a ajuda financeira do governo americano nos últimos meses somente contornou a crise, não estancando definitivamente suas causas. Algumas letras podem explicar como o mercado avalia essa possibilidade de recessão. Inicialmente, a percepção era que a economia americana se comportaria como a letra U. Houve uma queda no nível de atividade, atingindo o menor patamar para uma rápida recuperação em seguida.
Atualmente, são dois outros cenários: o primeiro semelhante a letra L. Queda acentuada no nível de atividade e recuperação lenta ao longo dos anos. O outro cenário, mais crítico, é o que avalia o comportamento da economia americana semelhante à letra W. Houve a recessão, em seguida rápida recuperação, para um novo mergulho na recessão, para somente em segundo momento ocorrer a recuperação.
O pior cenário seria o descrito como letra W. Nesse caso, o centro do problema seria nos Estados Unidos com consequências mundiais ao longo do tempo. O impacto no Brasil se daria em dois ou três anos, portanto, não permitiria acomodação nos louros das conquistas até então alcançadas.
É evidente que em ano de eleições o governo brasileiro não tem interesse algum em fomentar o debate em torno destas questões. E o que é mais preocupante: pouca coisa está sendo construída para blindar o País se efetivamente nova crise for desencadeada.
O importante para as empresas, entidades e as pessoas em geral é que o cenário atual não cegue a análise de eventual nova turbulência econômica e as decisões necessárias sejam adiadas. Não é hora de pessimismo, mas também não é o momento de otimismo exagerado.
Na prática, os americanos não fizeram a lição de casa e a ajuda financeira do governo americano nos últimos meses somente contornou a crise, não estancando definitivamente suas causas. Algumas letras podem explicar como o mercado avalia essa possibilidade de recessão. Inicialmente, a percepção era que a economia americana se comportaria como a letra U. Houve uma queda no nível de atividade, atingindo o menor patamar para uma rápida recuperação em seguida.
Atualmente, são dois outros cenários: o primeiro semelhante a letra L. Queda acentuada no nível de atividade e recuperação lenta ao longo dos anos. O outro cenário, mais crítico, é o que avalia o comportamento da economia americana semelhante à letra W. Houve a recessão, em seguida rápida recuperação, para um novo mergulho na recessão, para somente em segundo momento ocorrer a recuperação.
O pior cenário seria o descrito como letra W. Nesse caso, o centro do problema seria nos Estados Unidos com consequências mundiais ao longo do tempo. O impacto no Brasil se daria em dois ou três anos, portanto, não permitiria acomodação nos louros das conquistas até então alcançadas.
É evidente que em ano de eleições o governo brasileiro não tem interesse algum em fomentar o debate em torno destas questões. E o que é mais preocupante: pouca coisa está sendo construída para blindar o País se efetivamente nova crise for desencadeada.
O importante para as empresas, entidades e as pessoas em geral é que o cenário atual não cegue a análise de eventual nova turbulência econômica e as decisões necessárias sejam adiadas. Não é hora de pessimismo, mas também não é o momento de otimismo exagerado.
13 de agosto de 2010
“Perante Deus eu juro fazer da minha profissão de Economista um instrumento não de valorização pessoal, mas sim utilizá-lo para a promoção do bem estar social e econômico de meu povo e minha nação, cooperar com o desenvolvimento da ciência econômica e suas aplicações, observando sempre os postulados da ética profissional”.
Esse é o juramento dos Economistas. A Profissão foi regulamentada em 13 de Agosto de 1951 pela Lei 1411, portanto, 13 de agosto é considerado o DIA DO ECONOMISTA.
É uma profissão que mistura fascínio com desafios. O fascínio vem do próprio texto do juramento do Economista, que sintetiza a essência da ciência econômica, ou seja, estar voltada para a promoção do bem estar social e econômico. Já o desafio está centrado no fato de que as decisões de política econômica nem sempre caminham nesse sentido.
Muitos que criticam a postura do Economista confundem o Profissional, pessoa física, com as decisões de política econômica.
Esquecem-se que existem metas econômicas conflitantes e que administrar a escassez é o ponto central da ciência econômica. Outros, equivocadamente, relacionam as crises econômicas e os planos de estabilidade econômica aos Economistas, como se o fator político não tivesse sido decisivo nesses momentos mais agudos da vida brasileira, representados nos fracassos do plano Cruzado, Verão, Collor, entre outros. Por outro lado poucos enfatizem o sucesso na condução da estabilidade econômica alcançada no Plano Real, plano econômico elaborado pelos Economistas.
Não obstante esse erro de avaliação por parte da sociedade, neste dia do Economista há muito a comemorar.
É uma classe que permanentemente participa do debate dos grandes temas nacionais. Além disso, é presente em todos os momentos em que há necessidade de avaliar os mais variados indicadores tanto para entender o curto prazo, como para traçar estratégias de longo prazo. É um olhar mais do que quantitativo: o Economista por sua capacidade de abstração tem um olhar qualitativo, afinal um número sem interpretação adequada é somente um número.
E se há um futuro promissor nesse país, não tenham dúvida que para chegar até ele os Economistas terão papel fundamental.
Ter orgulho de ser Economista é o retorno alcançado por aqueles, que sem pensar em si, mas na coletividade, estudam, debatem, orientam e acima de buscam soluções para os graves problemas sociais.
Parabéns Economistas que escolheram essa ciência social como Profissão e nunca esmoreçam, e não se esqueçam do juramento:
“Perante Deus eu juro fazer da minha profissão de Economista um instrumento não de valorização pessoal, mas sim utilizá-lo para a promoção do bem estar social e econômico de meu povo e minha nação…”.
Parabéns Economistas neste dia 13 de Agosto.
5 de agosto de 2010
Estamos em plena era da internet. Inauguramos a chamada nova economia, mudando a visão da questão da escassez tão presente na “velha economia”.
Falamos de velocidade nas decisões, no fim da intermediação tradicional. Os documentos são digitalizados. Os arquivos são armazenados em sistemas como o dropbox. É a era da mídia digital. Das apresentações multimídia. São redes de relacionamento. É o MSN, Facebook, Twitter, smarts fones, TVS de LED, 3 D e tantas outras formas de se manter conectado. É a convergência de mídias.
Era da informação transformada na era do conhecimento. É o instantâneo, o global!
Temos até uma sensação de impotência diante de tanta informação e evolução tecnológica.
Na outra ponta nos deparamos com o persistente burocrata. Alguém criou a máquina de copiar e o burocrata inventou a requisição para tirar cópias. O burocrata é capaz de enviar e-mail e ligar em seguida para confirmar se realmente o destinatário recebeu a mensagem.
O burocrata cria o título de eleitor sem fotos e depois exige que a população apresente um documento com foto para confirmar que se trata mesmo do eleitor. Tem fraudes, alega. Pensar em unificar documentos, jamais!
O burocrata é incapaz de criar um sistema que elimine filas. Mas ele inventou as senhas, argumentam alguns. É verdade, mas ele distribui as senhas e em determinado momento manda avisar que o horário de atendimento acabou, portanto, volte outro dia. Muitos serviços públicos são assim.
Criaram os planos de saúde, as carteirinhas que identificam o usuário. O burocrata criou a autorização de exames. Dá-lhe fila!
O setor de emergência hospitalar é fundamental. Atendimento para quem está correndo riscos. O burocrata inventou que em determinados casos somente começa o atendimento depois de preencher toda a papelada. Inversão de prioridade.
Todos os documentos têm validade, desde que, evidentemente com autenticação em cartório, determina o burocrata.
Esse burocrata. Não enxerga além de seus olhos. É incapaz de desconcentrar datas para quitação de dívidas. Todos devem comparecer no dia indicado. Todos juntos. Haja sistema e gente para suportar tanta gente junta!
Confunde eficiência com eficácia. Alimenta-se dos carimbos, da papelada, da intermediação exagerada, enfim, daquilo que todos nós abominamos.
Enquanto formos dominados por este burocrata o indicativo é que pouca coisa mudará.
Na era do conhecimento e da velocidade se faz necessária uma mudança de postura facilitando a vida das pessoas.
Em última instância o que queremos é manter e ampliar a qualidade de vida. O burocrata caminha no sentido contrário, lamentavelmente.
29 de julho de 2010
Entro na loja em busca de um produto para presente. Vejo na vitrine “desconto de 50% em todos os produtos”. Ficou mais atrativo ainda adquirir o presente. Escolho o produto, decido pela compra e vou para o caixa. Surpresa quando o funcionário me diz: “se for no cartão o desconto cai para 40%”.
Naturalmente que neste momento argumentei: “mas o Código de Defesa do Consumidor não diferencia o desconto para pagamento em dinheiro ou cartão”. Aí vem a justificativa padrão: “sou somente uma funcionária, o dono da empresa é que mandou fazer assim”. Saí da loja sem comprar.
Vou ao posto de combustível que coloca a faixa de desconto no valor do álcool, mas somente em dinheiro. Pergunto ao frentista: “não aceita cartão?” A resposta é sim, mas “com o preço normal, sem desconto”.
Outra cena: um amigo acertou um empréstimo bancário. Não recebeu, como de praxe, a via de seu contrato. Manteve contato com o gerente que lhe atendeu, mas em vão, pois sempre está em reunião ou em visita. Não se conformando ligou no tal de 0800. Expôs a necessidade de ter uma via do contrato para controle. A pessoa disse: fale com o gerente da agência. Risos, afinal foram quase dez tentativas sem êxito. Com muito esforço a pessoa disse que enviaria. Mas teria que ser por fax ou e-mail. Este amigo não queria por estes meios. “Me envie pelos Correios” argumentou. A resposta: “não é possível enviar desta maneira”. Conclusão: ainda não recebeu o contrato.
Como esses exemplos poderíamos relatar muitos outros. E sempre vem o dilema: denuncio ou conformo? As empresas despreparadas ou desonestas querem é que o consumidor jogue a toalha e aceite suas condições. Mas isso não resolve. Se conformar não é amadurecer.
Como ocorre em muitas coisas na vida somente mexendo no bolso é que as pessoas aprendem. Foi assim com o uso do cinto de segurança, com a o limite de velocidade, e tantos outros exemplos que só vingaram quando a multa for pesada.
O lamentável é que muitos querem ser empresários e não se preparam para isso. Contratam funcionários e não registram. Vendem o produto e não querem emitir a nota fiscal. Colocam os produtos na vitrine e não mencionam o preço. Oferecem vendas com cartão e imaginam que podem praticar as vendas da maneira que bem entenderem. Não cumprem a garantia legal. Empresas de renome nos colocam para falar com máquinas ou então com atendentes despreparadas, todas terceirizadas, que possuem argumentos no limite do que a tela do computador lhes permitem.
Má fé, despreparo, má vontade, dêem o nome que quiserem, o fundamental é que todos os consumidores exerçam o legítimo direito de fazer cumprir a legislação vigente.
O que é interessante observar que tem empresas que gastam verdadeiras fortunas em publicidade visando atrair os consumidores e são incapazes de ter a percepção que mantendo as práticas aqui descritas só terão consumidores descontentes e presas fáceis para concorrência.
Denunciar ou conformar? Prefiro denunciar.
22 de julho de 2010
As decisões do Copom – Comitê de Política Monetária são tão previsíveis que podemos encaixá-las nas notícias que demonstram estatísticas de dengue, atentados terroristas e tantas outras notícias que não chamam mais a atenção do grande público pela freqüência com que são divulgados, ou seja, não há novidades.
Como o mercado esperava o Banco Central elevou em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros. Alguns apostavam em 0,75, mas ficou mesmo neste patamar, fazendo com que a Selic atingisse 10,75% ao ano.
A obviedade do Banco Central está no fato de que pouco importa o diagnóstico do aumento da inflação brasileira, para os dirigentes daquela entidade o combate deve ser sempre com elevação de juros.
A inflação medida pelo IBGE através do IPCA estava em alta em função do aumento de preços dos alimentos, da habitação e do transporte. Estes três itens puxaram mais da metade da inflação nos primeiros meses deste ano. Além disso, houve aumento no item educação e despesas pessoais.
A pergunta é a seguinte: juros altos não servem para inibir o consumo das famílias em bens financiáveis, ou seja, inflação de demanda?
Se a inflação está sendo puxada por itens não financiáveis e pela alta de preços em função do clima ou elevações sazonais, os juros mais altos não influenciam o comportamento do consumidor.
O remédio está equivocado. As explicações plausíveis estariam no fato de a autoridade monetária demonstrar austeridade ou até mesmo reduzir os preços de outros itens para compensar a elevação nos verdadeiros vilões da inflação brasileira, mas se for isso é no mínimo prejudicar o todo para controlar parte do problema.
Atuar fortemente na cadeia produtiva, abastecer o mercado com produtos importados quando necessário, realizar reuniões setoriais visando acomodação de preços, poderiam ser caminhos alternativos que não engessariam a economia nacional.
Para que isso ocorra é preciso sair da zona de conforto, coisa que o previsível Banco Central não tem vontade de fazer, tampouco o acomodado Ministério da Fazenda.
Por essas e outras é que decisão do Banco Central já não gera manchetes de jornal e não traz novidades na condução da política econômica nacional.
Para não jogar definitivamente a toalha, a esperança é que no debate da sucessão presidencial haja ao menos um espaço para discussões de como aperfeiçoar os instrumentos de controle da política econômica nacional.
Enquanto isso, amarguemos juros maiores, lamentavelmente.